sábado, 31 de dezembro de 2011

TEMPO...TEMPO...



“Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo propósito debaixo 
do céu: há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de 
arrancar o que plantou; tempo de matar, e tempo de  curar; tempo de derribar, e 
tempo de edificar; tempo de chorar, e tempo de rir; tempo de prantear, e tempo de 
saltar de alegria; tempo de espalhar pedras, e tempo de ajuntar pedras; tempo de 
abraçar, e tempo de afastar-se de abraçar; tempo de buscar, e tempo de perder; 
tempo de guardar, e tempo de deitar fora; tempo de rasgar, e tempo de coser; tempo 
de estar calado, e tempo de falar; tempo de amar, e tempo de aborrecer; tempo de 
guerra, e tempo de paz.” 
Eclesiastes, 3:1-8

Hoje foi tempo de recordar, ainda cheia de saudades, plantei flores no túmulo do Jorge...bem cedinho e debaixo de chuva, este foi meu tempo de chorar...

Agora quero o tempo de saltar de alegria ao lado da minha filhotinha...cada vez mais linda e serelepe...minha benção te amamos muito...sempre






Feliz ano novo a todos!

domingo, 25 de dezembro de 2011

ANTES TARDE DO QUE NUNCA

Pois é andei sumida, aliás sumidíssima, mas final de semestre, notas para entregar, tudo para fechar e só no dia 23 de dezembro entramos mesmo de férias. O bom de sermos professores (eu e meu marido na mesma universidade, departamento e sala...rs) é que entramos de férias juntos, assim podemos curtir e fazer as coisas sem nos preocupar com períodos que não coincidem.

Enfim, deixando as desculpas e explicações de lado só queria desejar um Natal acalentador a todos, que Jesus, nascido hoje, seja alimento da alma e coração de todos nós. No ano novo espero postar fotos da Lelê na maratona natalina e fazer um post de felicitações - antes do ano acabar - é claro.

Seguem aqui só umas fotos do tradicional passeio na capital mineira para ver as luzes da Praça da Liberdade. Helena adorou, ficou olhando para tudo com aquela cara de Oh!!!! Só não gostou do Papai Noel da Coca Cola, quase entrou em pânico, música alta + fumaça + papai noel que mexe = pânico, nem deu para tirar fotos.

aqui lá em casa com as árvores de metal da mamãe...descabelada e com humor duvidoso


na Praça com o papai...achando tudo LINDO!!!!



segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

AI! AI!

Ai! Ai! Esta é a nova da Helena tudo é uma ai, ai para lá e um ai, ai para cá. Hoje de manhã o ai, ai teve motivos...até que enfim ela foi avaliada pelo ortopedista e depois de um raio-x de quadril ele achou que está tudo bem. Graças a Deus! Mas mesmo assim estou com a pulga atrás da orelha, coisa de mãe, vou ver uma segunda opinião. Parte ruim: sobrepeso, ele continua achando a Helena gordinha demais e acredita que os quilinhos extras possam atrapalhar o desenvolvimento motor...
Pergunta do médico: "Você continua dando comida para ela todos os dias?", explico, da última vez que fomos até lá ele sugeriu que a alimentação dela fosse um dia sim e outro não...apesar do tom de brincadeira a constatação dele foi que ela precisa ficar mais magrinha para se movimentar melhor. A gastro tem esta desvantagem, como a quantidade de alimentos é calculada e mãe mede amor por quantidade de comida devo estar exagerando, né? Admito que gosto da Helena gordinha, mereço um desconto ela nasceu com 600gr gente! Entro em pânico só de pensar nela miudinha...Mas vamos lá se é para o bem dela vou tentar e tentar e tentar...só não vou prometer.
No mais parece que ela está andando para trás na fono...sábado experimentou um flan de soja (sabor chocolate) e a sessão estava tão sofrida que a fono resolveu parar...aqui em casa nada, nada...chora e acaba engasgando. A fono sugeriu voltar a pneumologista para vermos se a  quantidade de secreção "alta" pode estar atrapalhando, vamos lá, quem sabe não melhora...e sempre em oração porque Deus tudo pode.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

CABEÇA, JOELHO E PÉ...

Resta saber quando os pequenos deixam de ser uma "caixinha de surpresas", acho que nunca...a Helena apresenta vários atrasos no desenvolvimento motor, não rola, não engatinha e claro, não anda. Apesar de ter bom controle de tronco e cabeça além de usar as mãozinhas "normalmente" ela não consegue sair daí e então vão surgindo os problemas que são consequência do corpo não fazer o que já deveria estar fazendo. Hoje a fisioterapeuta que a acompanha aqui em Ouro Preto chamou minha atenção para o quadril da Helena.
Eu, como mãe "neurótica" já tinha reparado que a Helena está sempre "tombada" para a esquerda, ela vai tentando compensar para não cair para o lado e nesta tentativa fica com a cabeça totalmente caída para a direita...enfim um problema postural que a fisio, eu acreditava poderia resolver.
Ledo engano, como o pezinho esquerdo que virou para dentro e que as palmilhas estão ajudando a resolver o quadril possivelmente precisará de uma intervenção - de que tipo ainda não se sabe. Assim lá vai a mamãe para Belo Horizonte fazer uma avaliação com a fisio de lá e o ortopedista para ver no que vai dar. Estamos sempre no "fio da navalha" entre o "que bom que ela conseguiu sentar" e o "a cabeça, o joelho ou o pé, neste caso o quadril" precisa de uma atenção especial e de intervenção, o mais precoce possível é o que sempre tentamos. Enfim a cabecinha está tombada para a direita, o joelho esquerdo está fletido (acreditamos que devido a torção no quadril) e o pé esquerdo virou para dentro e as palmilhas são um primeira tentativa para adiar o uso das órteses...ai ai cabeça, joelho e pé...e sempre em oração porque sabemos que Deus tudo pode.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

LIMITES SIM! TALVEZ, QUEM SABE...

Aff...como admiro as mães que dizem NÃO com força, coragem e determinação. A minha mãe foi assim e muito acertou conosco, pelo menos é o que parece. Estou tentando aprender a difícil arte de dizer não e dar limites a Helena. Apesar de muito pequenina ela já tem uma personalidade, se assim podemos definir, bastante forte e voluntariosa. Na UTI uma médica me disse que eu teria trabalho com ela porque ela era muito voluntariosa, achei graça. Como um bebê de 700 gr, na época da conversa, poderia ser voluntariosa? Viche! Ela tinha razão, e eu, hoje, vejo que preciso impor alguns limites. Hoje ela queria porque queria "futucar" o teclado do computador - explico: ela gosta de, com o dedinho indicador, arrancar qualquer coisa que tenha uma  aba possível de ser puxada - e o teclado é uma festa, meu computador já está todo capenga. Solução - se for mexer no teclado não vai ver "palavra cantada"...e ela, vejam vcs mesmos...birra total, mesmo assim fechei o computador e chamei a atenção dela para outras coisas...ufa...





e tava toda bonitinha minutos antes, de alcinha, coisa rara aqui em Ouro Preto...



a outra coisa...carregador do celular...pelo menos a birra parou...


flashes do feriadão no sítio da vovó Nega...cantinho especial bem pertinho aqui de Ouro Preto - amou ficar horas na rede e no balanço na varanda vendo os passarinhos e a chuvinha caindo.






 e aqui só para registrar que a mamãe acha lindo me encher de "tic-tacs"...


terça-feira, 8 de novembro de 2011

O QUE UMA MÃE PODE ESPERAR DO FILHO

Replicado do site da Andrea mãe do Eduardo, não resisti...vale para todo mundo...texto maravilhoso de um colunista da revista época chamado Bruno Astuto.

O que uma mãe pode esperar do filho


"O drama de toda mãe é saber se ela foi boa o suficente, e ser boa significa ter o filho encaminhado na vida, agindo dentro das fronteiras do caráter, que ele encontre um grande amor (não tão grande como ela, claro) e que ele seja feliz. Do momento em que engravida até o último suspiro, uma mãe jamais terá certeza de que deu o melhor de si e que agiu corretamente na maioria das situações difíceis que se apresentaram a ela. A única coisa que uma mãe sabe é que amou profundamente aquele ser, mais às vezes do que a si própria.
Uma mãe com um bebê no colo ignora o que o futuro lhe reserva: se ela terá leite suficiente, se o pai estará presente ainda que eles se separem, se as mães dos amiguinhos dirão que ele é um anjo de comportamento, se o filho vai andar cedo ou tarde, se tirará boas notas na escola, se vai sofrer na mão das mulheres, se vai arrumar um bom emprego, se não vai sofrer nenhum acidente, se vai telefonar quando sair para beber com os amigos, se não sucumbirá às glórias e às ilusões deste mundo. Uma mãe nasceu para ver o coração quicando da boca ao estômago, mas pelo menos ele sempre estará cheio.
Aquele ser indefeso na maternidade pode se tornar um médico competentíssimo, um empresário de sucesso, um advogado cheio de ideais, o presidente do Brasil ou até um perigoso traficante de drogas. Por acaso a mãe do Polegar imaginava que seu bebê um dia seria preso no Paraguai, acusado de chefiar uma das maiores quadrilhas do Rio de Janeiro? Se soubesse, ela o teria abandonado no hospital?
Pois me chocou muito o recente caso dos pais que abandonaram seu bebê com Síndrome de Down num hospital do Rio de Janeiro. Ter um filho com a síndrome não é fácil: a sociedade vira as costas para essas crianças, que precisam lutar muito para descobrir meios para sobreviver num mundo que infelizmente não foi feito para elas. Mas suas deficiências terminam aí.
Não sei o que motivou esse casal a cometer tal ato abjeto, se foi o desespero, a inexperiência, um momento de insanidade. Mas nenhuma das alternativas o isenta do fator crueldade e do desprezo pelo que é humano. Eles se ativeram a um dado genético e mental de seu bebê, e não se deram conta de que colocar um filho no mundo, seja ele deficiente ou não, é um gesto de loteria. Pior do que ter uma criança com Síndrome de Down é criar um filho sem caráter.
Eu tive a sorte de conviver com uma irmã com Síndrome Down, a Emi, que acabou se tornando uma filha e infelizmente se foi no ano passado. Por ter sido abençoado com sua presença iluminada, sempre achei curioso dizer que alguém era especial, excepcional ou deficiente. No meu repertório, essas palavras nunca existiram, porque as diferenças entre os seres humanos sempre foram encaradas por mim e por minha família como uma coisa natural, como ter cabelo preto ou louro, encaracolado ou liso, ter a sobrancelha fina ou mais grossinha. Em casa, essas bobagens jamais tiveram importância, simplesmente não existiam, como não existem até hoje.
Em algum momento da vida, todos nós acabamos por enfrentar alguma deficiência, algum obstáculo. Seja para comprarmos o carro que desejamos, construirmos a casa com que sempre sonhamos, precisarmos de óculos para ler ou assistir a um filme, encontrarmos energia para brincar com os filhos depois de um dia de intensa labuta.
Só fui capaz de entender isso por causa da minha irmã, que realmente era especial, porque ninguém me amou de uma maneira tão profunda, pura e irrestrita, fazendo com que eu e a todos que a cercaram, em seus 53 anos de vida, nos sentíssemos verdadeiramente únicos. E ela também era excepcional, porque, no mundo de hoje, esse amor tão cristalino, tão generoso e sem limites infelizmente virou uma exceção. E excepcional vem dessa palavra: exceção.
Emi ganhou várias medalhas esportivas, foi pintora e grande pianista, fez aula de inglês e recebeu várias faixas de Miss colecionadas nas excursões que fazia pelo Brasil e pelo mundo. Tinha planos de se casar com o Rei Roberto Carlos, mas depois mudou para o Daniel. Gostava de sorvete de abacaxi, sundae de caramelo, banana split, mamão amassado de sobremesa. Era muito amiga dos amigos, dava tchau para todas os desconhecidos da rua como se fosse atriz de cinema,  pedia por favor e dizia obrigada para tudo, adorava cachorrinhos (mas só os pequenos), e ouvia música o dia inteiro. Fossem Natal, aniversário ou Dias das Crianças, não queria carrinhos, bicicletas ou viagens: só gostava de ganhar canetinhas de tampa branca e cadernos para colorir. E usava meias pretas com tênis brancos. Um dia eu perguntei: “por que você só usa meia preta”? E ela: “porque é moda”.
Outro detalhe fundamental: ela tinha a idade que queria. Passou muito tempo com 28 anos, depois aceitou fazer 32 e, nos últimos anos, estava com algo entre 36 e 39 anos. Em sua última festinha de aniversário, já meio fraquinha, alguém comentou que ela estava completando 53. E, quase sem voz, ela corrigiu: 39. Essa também era a Emi, que tampouco nunca confiou em escadas rolantes.
A melhor definição que ouvi sobre Emi e todas as pessoas iguais a ela veio de minha mãe: são anjos de asas curtinhas, que precisam da nossa ajuda para voar. Mas acontece que todos nós nos vemos, mais dia menos dia, com as asas curtinhas, porque viver não é brincadeira. E são pessoas únicas como ela que fazem o movimento contrário, e nos ajudam a voar, num gesto de abundante generosidade.
Tenho muita pena desses pais que abandonaram seu bebê Down no hospital. Eles jamais conhecerão a dor de enfrentar o mundo para torná-lo um lugar mais digno para os nossos deficientes. E tampouco conhecerão a delícia de acordar melhor com as lições que eles nos ensinam todos os dias.
Eis a única coisa que uma mãe pode esperar de seu filho: que ele a surpreenda."

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