sábado, 17 de janeiro de 2015

RENASCENDO...POST DO DIA 29/07/2014

Este ano resolvi não postar nada na data de nascimento da Helena e do Jorge (11/07), achei mais justo postar hoje, o dia em que nossa família renasceu, cada um de nós, eu, Guilherme, Jorge e Helena nos tornamos pessoas diferentes, no início impactadas de forma aterradora e hoje melhores, mais fortes e independentes.

Hoje, 29/07 fazem quatro anos que o Jorge morreu, este dia e este acontecimento foram assuntos de diversos posts e cada vez mais reconheço os desdobramentos que com o tempo surgem nas nossas vidas. O tempo é mesmo redentor, a saudade doída, cada vez mais cede lugar às doces lembranças, se sentimos falta, principalmente daquilo que não vivemos? É claro! Se queríamos e continuamos querendo que fosse diferente? Lógico! Mas vivemos melhor hoje com o que aconteceu.

Neste dia, há quatro anos atrás Jorge reviveu na eternidade do amor, eu e Guilherme nos tornamos inicialmente amargos e céticos como nunca pensamos ser capazes e a Helena, ah a Helena, sofreu uma perda que só ela pode mensurar. O reflexo, uma sepse súbita que levou à cirurgia emergencial de fechamento do canal arterial (que liga coração e pulmão) e uma meningite bacteriana responsável por algumas das sequelas que ela apresenta hoje. Tudo de uma vez só! Lembro bem da médica se desculpando por me dar notícias tão aterradoras, para quem já estava se sentindo à “sete palmos” e lembro bem do que pensei “meus filhos estão entrando em colapso...eu não tenho este direito!”. Assim depois de enterrar o Jorge voltamos ao hospital para acompanhar a cirurgia da Helena...com certeza o dia mais longo de nossas vidas.

Mal sabia eu que estes primeiros dezoito dias se transformariam em 120 dias de internação na UTIneo e muitas surpresas agradáveis e terríveis...mas no final sobrevivemos! Estamos aqui para contar, relatar e dizer que “a vida é mesmo coisa muito frágil, uma bobagem, uma irrelevância diante da eternidade do amor de quem se ama...” (Nando Reis)

Não é porque você não está vivo que não sentimos você e por você Jorge...te amamos...Parabéns meus pequeninos! Viva a vida, seja ela em que plano for!

Ultrassom do Jorge e da Helena (20 semanas de gestação)...vida...irmãos...vivos e juntos, como nos nossos corações!!!








sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

BOTOX - "EMBELEZANDO AS PERNOCAS"!!!

Chegamos, enfim, ao ponto da aplicação da toxina botulínica...como já estavam prevendo os profissionais que acompanham a Helena (ortopedista, fisioterapeuta e neurologista). Esperamos a Helena completar quatro anos para efetivamente pensar na aplicação da toxina porque o comprometimento motor dela, apesar de ser mais severo nos membros inferiores é global e fruto de um tônus muscular flutuante, ou seja, locais com menos tônus do que o normal e outros com mais tônus do que o normal. A toxina é indicada no tratamento de espasticidade severa (aumento do tônus) e enrijecimento de músculos que pode levar a encurtamento de tendões, por exemplo.

O quadro da Helena, em termos de desenvolvimento da marcha foi de retrocesso nos últimos dois anos, verdade seja dita e este retrocesso se deu pelo agravamento do quadro neurológico. O botox entra aí como uma terapia de diminuição do tônus buscando chegar o mais perto da normalidade e permitindo assim que as sessões de fisioterapia se tornem mais proveitosas e que a órtese tenha seu uso facilitado. O nosso maior receio era aplicação que seria feita "a seco", sem anestesia e depois a resposta ao tratamento que pode ser zero...esta resposta é individual e não há nada que possa ser feito para prever como será...

A Helena já estava com encurtamento de tendões e o que chama de "pés equinos", quando a criança fica pisando sem encostar com o calcanhar no chão. Este quadro associado a uma dificuldade significativa para usar as órteses levou à indicação do uso do botox nas duas panturrilhas (2 injeções em cada panturrilha). O procedimento foi feito no dia 11/09 no Hospital São Camilo em BH. Graças a Deus ela suportou bem a aplicação! Chorou, claro, mas eu e Guilherme a seguramos e antes do procedimento, aproximadamente 30 minutos, foi aplicado um gel de xilocaína para diminuir a sensibilidade da pele.

Mas o melhor, o ótimo, o maravilhoso resultado do tratamento começou 72 horas depois da aplicação...ela começou a encostar o calcanhar no chão e a usar as órteses com muita facilidade permanecendo com elas até 8 horas por dia...muito bom saber que ela responde a toxina! Um alívio! É bom lembrar que esta terapia não cura e nem resolve de forma permanente esta flutuação e alteração de tônus da Helena, esta é uma condição neurológica derivada da patologia que ela apresenta a Paralisia Cerebral. Este tratamento é coadjuvante nas terapias (fisio, órteses) que ajudam a prevenir deformações dos pés e coluna provocadas por posicionamentos incorretos. É bom repetir e frisar que a aplicação do botox não fará a Helena andar...mas ela promove possibilidades de uma melhor postura o que pode levar a aquisição de algumas habilidades...também nunca esperamos por milagres...ela já é o nosso pequeno grande milagre...

Helena caminhando para o altar no casamento do Dinho




domingo, 11 de janeiro de 2015

AUSÊNCIAS

Me deparei com o rascunho deste texto em um caderno (adoro cadernos, anotar, anotar) com data de 2011 e acho que ele é atual, se encaixa no que vivemos hoje, desde 2010...segue então o rascunho com alguns ajustes em forma de agradecimento neste início de ano aos nossos familiares e amigos:

Este é um texto de agradecimento, não é um pedido de desculpas ou uma tentativa de explicação (acredito que não cabem aqui nenhum dos dois). 

Nós, eu e Guilherme, e no reboque Helena, somos uma família ausente, mesmo! São pouquíssimos os eventos e comemorações, da família e de amigos que participamos depois do nascimento da Helena. Para se ter uma ideia desde 2010 passamos somente dois dias das mães com as nossas mães (minha e do Guilherme) e lá se foram cinco datas como essas...se sentimos muito? Claro! Mas não mais nos martirizamos por isso, escolhemos agradecer àqueles que, por amor, nos recebem com sorrisos e abraços valorizando a nossa presença nas raras vezes que conseguimos participar de reuniões que nos são tão caras.

E porque? A explicação é simples e passa a quilômetros de distância de um drama familiar, escolhemos pela preservação, principalmente da saúde da Helena e a reboque da nossa. A labilidade da Helena para estímulos e quebras de rotina é baixíssima, ou seja, foram várias as vezes em que depois de um evento onde foi muito estimulada ou de um horário de alimentação e sono modificados que ela passou por eventos convulsivos...sei que não é fácil entender e respeito aqueles que acreditam que nos isolamos, que perdemos o contato propositalmente, por preguiça ou acomodação. Mas como o dono do calo é que sabe onde o sapato aperta optamos por ser pais responsáveis e atentos e privilegiamos o bem estar e a qualidade de vida da família, ponto.

Mas, como colocado no início do texto este é um recado de agradecimento. Agradecemos todos os dias pela presença em nossas vidas de familiares e amigos que generosamente nos recebem com um caloroso abraço nas poucas vezes que nos encontramos! 

Homenageio aqui a família e amigos que nos emocionam com um "Que bom que vcs vieram!" que passam pela nossa casa só para um "Oi! Estava com uma saudade de vocês!" que começam tudo de novo, em um novo ano, como se nunca tivéssemos nos ausentado...acreditem, vcs estão tão presentes em nossos corações que a distância física nunca nos separará...Obrigada, vocês alimentam a nossa alma e fazem a vida ser mais leve!

Com amor

nós

(foto no aniversário de 80 anos do vovô Corinto que foi adiado duas vezes por causa da Helena!)


quinta-feira, 12 de junho de 2014

CARTAS AO JORGE #1

Meu querido,

esta é a primeira das cartas que espero escrever para você. Escrever é um bálsamo, pelo menos para mim, funciona como um sopro de ar fresco em um dia de sol quente e por isso, para acalmar o que sinto em relação à você, escreverei. Espero, algum dia, em um futuro não tão distante, ler e me sentir menos influenciada pelos sentimentos que me tornam hoje uma pessoa que eu não diria triste, mas um tanto quanto subordinada à sua ausência, um vazio que ocupa lugar considerável no meu coração.

Resolvi escrever porque um dia desses tive uma experiência estranha. Eu acredito em pessoas que sentem a presença de outras que já se foram, não em todas é claro, mas naquelas que se abrem a esta possibilidade sem ter ganhos, sejam eles financeiros ou de atenção e visibilidade. Esta minha posição não tem nada a ver com a minha espiritualidade ou racionalidade, mas com uma crença de que as pessoas estão em um outro lugar e não simplesmente deixam de existir. Pois bem, senti você, na verdade vi você.

Estava encostada na porta da cozinha tomando uma xícara de café preto e de repente você passou por mim, um menininho de cabelos negros como o ébano, de pele alva como a da sua irmã e olhos pequenos e castanhos...foi tão real que quase pude sentir seu cabelo...não fiquei triste e nem preocupada. Posso estar sugestionada, claro! Tenho pensado muito em você e em como estaria nossa família com mais uma criança, talvez a proximidade dos 40 anos tenha me feito pensar na impossibilidade futura de outra gestação e daí comecei a imaginar que esta situação poderia estar resolvida se você estive aqui...mas tenho que confessar que gostei, gostei de te ver aqui, gostei de ver você, gostei de sentir sua presença...

Daí comecei a pensar em buscar você. Como? Seus restos mortais estão enterrados com minha querida avó materna e sempre tive vontade de trazê-los para perto, sempre. Deixando a morbidade da situação de lado gostaria de cremá-los e colocar a urna em um lugar especial em casa, sinto como se pudesse, assim, ter minha família completa e unida. Ainda não falei com seu pai, ele ergueu uma grande muralha ao redor deste assunto e sua remoção não é tarefa das mais fáceis, mas saiba, meu querido menino, que independente da sua presença física você é um dos meus grandes amores (Lelê e papai estão tete a tete) e nunca, mesmo que não consiga trazer suas cinzas para perto de mim, você estará longe do meu coração, sua morada para sempre...

com amor

Mamãe

Para você meu querido Guilherme, com amor e para sempre

Mais de 20 anos juntos e quase uma década de casados, já vivemos mais tempo juntos do que separados...
Se tudo são flores? NÃO! Mas hoje me orgulho da nossa habilidade em plantar novos jardins no nosso caminho, por mais arenosos e pedregosos que se pareçam os terrenos...
Para você meu querido Guilherme um trecho da nossa música, com amor e para sempre:
"Mudaram as estações
E nada mudou
Mas eu sei que alguma coisa aconteceu
Está tudo assim tão diferente
Se lembra quando a gente
Chegou um dia a acreditar
Que tudo era pra sempre
Sem saber
Que o pra sempre
Sempre acaba
Mas nada vai conseguir mudar
O que ficou
Quando penso em alguém
Só penso em você
E aí então estamos bem"



sexta-feira, 6 de junho de 2014

CABELO, CABELUDA, CABELEIRA!

A Helena tem um cabelo de dar inveja, mesmo! É muito cabelo, pesado, e cacheado. Dá um pouco de trabalho porque embaraça e quando não penteado fica com aquela nuvem de cabelos que se arrepiam, mas no final sempre dá bons penteados, tranças e mesmo solto fica muito bonito...o verdadeiro segredo é ÓLEO DE SILICONE! De qualquer marca, já usei várias e sempre tenho um bom resultado, passo um pouco de manhã da metade do cabelo para as pontas e depois penteio, fica brilhante e macio além de ficar com um cheirinho suave e gostoso...bom mesmo vejam vocês pelas fotos abaixo...atenção para a nuvem...

desde pequenina os cachinhos


nuvem mesmo!


soltinho de lacinho...


só depois de nadar é que mesmo preso dá trabalho...


  juro que não modelo os cachos...é só pentear e eles tomam formato


acho que foi uma bela misturinha (meu cabelo muito fino e o do Guilherme grosso e encorpado)


o charme do "rabo de cavalo"


cachos, cachos...


essa foi mais pelo sorriso do que pelo cabelo...


muitas vezes tem que usar tanta roupa que só com um rabo para não embolar tudo!


e as tranças, como eu adoro!




e por último a princesa descabelada!


sexta-feira, 23 de maio de 2014

GANHOS SECUNDÁRIOS

Ouvi, pela enésima vez a história dos ganhos secundários na última avaliação funcional da Helena, e como todo pai e mãe preocupados e presentes no cotidiano dos filhos tenho tentado mudar para que ela mude, mas a maior dificuldade é o que mudar? Então descobri que um dos ganhos secundários que a Helena incorporou pelo uso da sonda é utilizar o botton como uma campainha para chamar nossa atenção, ou seja, um ganho secundário em função da sua necessidade especial - ela é atendida com uma rapidez inimaginável.

Basta não olharmos para ela na hora que ela fala "Papai!!!!!" ou "Mamãe!!!!!!!" que ela, com uma cara de quem sabe que está errando enfie o dedinho indicador no granuloma que se formou no estoma e daí sangra, machuca, dói e o pior, claro que este dedinho não está limpinho, né gente? Como não adiantou falar, pedir, falar de novo, colocamos um curativo maior e mais resistente, mas não é que aquele dedinho faceiro vai lá e descola o micropore e "Tum" chega onde quer. Assim, eu queimando as pestanas adaptei um collant de ballet e vesti na menina por baixo da roupa! Eureca! O mais engraçado foi a reação:

Enfia a mãozinha por debaixo da roupa e:

"Acho que tem alguma coisa errada aqui...hum...cadê meu botãozinho?"

hehehe...

E assim vamos tentando tirar os hábitos que, na maioria das vezes, nós mesmos plantamos nos danadinhos, é difícil, mas vou por partes, um de cada vez, devagar e sempre!

Olha a cara experimentando o vestido da festa junina (obrigada a querida Eliane que fez o empréstimo):



sexta-feira, 16 de maio de 2014

EU SOU EGOÍSTA...OU NÃO?

Antes “noticiando” o que tem acontecido do lado de cá:
1.    Estamos muito bem na escola, nos dias em que comparecemos, é claro. Explicando: a Helena, como toda criança que entra na escola está se acostumando com a “comunidade” virótica que ali reside, assim ela, nos três meses de aulas até hoje, ficou doente três vezes e confesso que neste quesito ficamos até satisfeitos, achávamos que seria maior o número de intercorrências. Ela continua em “lua de mel” com o ambiente, os colegas, professora, monitora, mediadora...enfim com tudo, adora ir, ficar e se esbalda com a liberdade e as atividades que a vida escolar proporciona.
2.    Estávamos comemorando cinco meses sem crises convulsivas e um avanço bastante significativo em termos de postura, fala, alimentação e coordenação motora fina, mas esta madrugada ela acabou passando por um evento convulsivo que esperamos não trazer grandes regressos. Daí veio parte do assunto de que trata este post e inspirou o título.


Vamos então ao cerne do problema “ser egoísta”. Quando a Helena passa por estes eventos eu me sinto recebendo “na cara” e não na cabeça, do tipo jogado mesmo, um balde de água vinda diretamente das profundezas do Mar Adriático (sentiram a temperatura, né?). E fico pensando depois se tenho mesmo o direito de me entregar a este sentimento de profunda frustração que me arrebata. É justo, com ela (Helena), que eu me sinta frustrada, com ela (porque no final não estou frustrada com a crise, mas com os reflexos dela na Helena)? Racionalmente chega a ser cruel! Como me sentir frustrada com um evento do qual ela também é uma vítima? E não adianta apelar para “não fico frustrada com a Helena não! De jeito nenhum! Fico triste com o que aconteceu...” BALELA!!!! Fico frustrada mesmo e aguardando uma chance de ver ser houve algum retrocesso e torcendo para que ela continue evoluindo no mesmo ritmo.

Tiro então a conclusão de que SOU EGOÍSTA, e isto me frustra ainda mais, vou explicar porque. Antes que apareçam os que dizem que você como pai ou mãe pode, e vai, em muitas ocasiões se frustrar com seus filhos, as vezes em situações extremas como o uso de drogas ou uma vida marginal e criminosa NÃO É A MESMA COISA! As crianças especiais desafiam nossa capacidade de planejar, das mínimas coisas aos longos planos, não sabemos se será possível andar, se comunicar, desenvolver-se cognitivamente e plenamente e, o mais importante serem independentes. Aprofundando: mesmos que as coisas estejam bem e caminhando além das expectativas as intercorrências vêm, como fantasmas sorrateiros no escuro, e nos dão a mais dolorosa e inesperada “puxada de tapete”, nossa vida é assim!

Este relato, pode-se dizer sentimentalista, não está aqui para provocar piedade ou compaixão, não mesmo! Não somos uma família digna de dó, ou de sentimentos do campo da “pena”. Somos verdadeiramente felizes, mas isto não impede que, de quando em vez, tenhamos o nosso quinhão de tristeza, o que nos difere é que estamos sempre esperando, vivendo à espreita, à sombra da possibilidade de que “vai acontecer alguma coisa!”.


E, também de vez em quando, me sinto no direito de me abater frente a esta perspectiva de que será sempre assim, estarei sempre à deriva em águas escuras que não me deixam vislumbrar terra firme porque escondem, em sua turbidez, o monstro que balança, revolta e movimenta estas águas nos jogando novamente à deriva...e é nestes momentos que me sinto profundamente e injustamente EGOÍSTA! O que responde então a pergunta do título deste post...ou não!

domingo, 13 de abril de 2014

40 MESES DE GASTROSTOMIA - CAPÍTULO 2: DA SONDA FOLEY AO BOTTON

Este talvez não devesse ser o segundo post sobre a gastro, mas fiquei com vontade de escrever porque o a sonda e sua substituição pelo botton, além dos cuidados com os mesmos merecem uma atenção especial. Quando a Helena colocou a gastrostomia, como os demais pacientes, ela saiu da cirurgia com uma sonda de Foley, como esta da imagem abaixo:


O balão fica dentro do estômago e é preenchido com água e não ar. Esta sonda não foi criada para a gastro, mas é uma adaptação bem sucedida. Na outra extremidade é colocado um three-way do tipo utilizado em cateteres intravenosos e a partir dele conectamos o equipo. Como estes abaixo com as "torneirinhas" de abrir e fechar.

A Helena ficou com esta sonda durante quatro meses, como ela era bem pequena e com mobilidade reduzida, passava a maior parte do tempo dormindo ou no colo foi bem fácil de lidar com esta sonda extensa saindo da barriguinha, apesar da aparência não ser das melhores a gente se acostuma. Duas dicas úteis para esta fase: 1. fazer o que eles chamam nos hospitais de "ponte" (amarrar a extremidade da sonda na barriga para não se correr o risco de puxar a sonda sem querer e dar um tranco no estoma da gastro o que pode provocar até o arrancamento da sonda); 2. medir a extensão da sonda fora do estoma e conferir esta medida diariamente, corre-se o risco da sonda ir entrando no estômago e em um dado momento migrar para o intestino. Fiz esquemas anos atrás para enviar a uma mãe e explicar o esquema da "ponte", meio toscos mas bastante úteis:






Esta alça pode ser feita para qualquer direção (direita ou esquerda), no caso da Helena fiz por muito tempo somente para a esquerda e acabei promovendo a formação de uma cicatriz fibrosa e o estoma ficou um pouco torto. Esta cicatriz acabou gerando o que é chamado de granuloma (uma protuberância avermelhada) que as vezes sangra e fica dolorido, temos acompanhado a evolução deste problema com a cirurgiã e uma enfermeira especialista em estomoterapia e até o momento não foi indicada a retirada do granuloma cirurgicamente. 

Depois dos quatro primeiros meses com a utilização da sonda de Foley a cirurgiã indicou a substituição pelo botton, no caso da Helena a sonda Mic-Key do fabricante Kimberly Clark (http://www.br.mic-key.com/). Esta sonda chamada de "baixo perfil" é bastante confortável e de fácil manuseio, além de tudo o risco de ser puxada ou de machucar o abdome é baixíssimo. Existem outros fabricantes deste tipo de sonda, mas a Helena usou somente esta marca até hoje, indicação da cirurgiã que fez a gastro e que faz a troca regular dos bottons (que deve ser feita a cada seis meses). O botton é bastante fácil de manusear e os cuidados de limpeza do estoma continuam os mesmos, lavar com água morna e sabão neutro e secar com gaze estéril depois do banho; já depois de cada refeição verificar se não ficou nenhum resíduo em volta do estoma o que pode causar irritação e até ferir a pele que fica bastante sensível ao redor.

Existem vários depoimentos e histórias sobre crianças, adolescentes e adultos com vidas ativas e uso da sonda Mic-Key por diversos motivos e como colocado pelos próprios o botton é quase imperceptível para quem não sabe que estão usando. Fora a questão da percepção que, as vezes, pode ser desagradável para o usuário da sonda, o baixo perfil não limita nenhuma atividade, nem a prática de esportes, por exemplo.


quarta-feira, 2 de abril de 2014

UM BALANÇO DE 40 MESES DE GASTROSTOMIA - CAPÍTULO 1:VOLUME E INFUSÃO DE DIETAS

Hoje recebi um email de uma mãe que encontrou alguns dos meus posts sobre a saga da gastrostomia nas nossas vidas e que me pediu um conselho - autorizar ou não que a filha passe pelas cirurgias de colocação da sonda e de fundoplicatura (cirurgia de refluxo)...entendo bem o que é esta angústia, eu e Guilherme ficamos apavorados com a possibilidade da Helena se alimentar por uma sonda, mas no nosso caso pesou muito a possibilidade de levar a Helena para casa depois de 120 dias de internação na UtiNeo e acho que ficamos mesmo sem saída, autorizando assim a cirurgia.

Depois que recebi o email fiquei com vontade de compartilhar coisas importantes que vêm com a experiência do uso da gastro por um longo tempo, sem expectativas de ser breve, diga-se de passagem. Na minha resposta a esta mãe disse que hoje, consideramos a sonda mais como parceira do que inimiga, ela representa para nós uma possibilidade de alimentar de forma saudável, ter certeza de que todos os medicamentos nas doses necessárias serão ministrados e de hidratação mais intensiva quando necessário, o que é bom. Não dependemos da vontade, ou boa vontade da Helena para que ela coma brócolis, tome remédios de gosto duvidoso ou beba mais água, o que nos tranquiliza, principalmente quando ela está doente ou muda as medicações que usa.

Mas, como para todas as situações existe um mas...os desconfortos e limitações de uma forma de alimentar que não é a natural estão presentes. O primeiro ponto que sempre pegou e ainda pega é o volume e velocidade de infusão das dietas. O volume de dieta a ser ingerida depende de demanda, sempre, em qualquer idade, mas e quando a criança não entende se está ou não com fome, já que nunca se alimentou até o estômago ficar cheio? Entram aí os cálculos de volume, que tenho que admitir variam de período em período. Procuramos inicialmente por uma nutricionista e já estamos na terceira, com possibilidade de caminhar para uma quarta (muito difícil acertar com profissionais da área da saúde, aff). O volume de dieta tem a ver com o peso, e só. Adultos e crianças tem uma drenagem de 30 ml por quilo/hora de volume do estômago para o intestino. Assim, Helena que pesa aproximadamente 18 Kg tem uma drenagem de 540 ml de volume ingerido por hora, ou seja, se ela ingerir 540 ml de dieta em 30 minutos no final da infusão desta dieta restarão no estômago somente 270 ml da mesma. Em termos práticos este cálculo serve para que saibamos o máximo volume que ela pode ingerir...mas não funciona bem assim.

Quando recebemos alta da UtiNeo a gastroenterologista nos colocou a necessidade de infusão da dieta na "velocidade" de no mínimo 45 minutos, de qualquer volume. Administrávamos as dietas que eram leite (fórmula para prematuros) por gavagem (como o soro intravenoso, pingando e com controle manual no equipo), mas como as dietas eram infundidas de três em três horas nas dietas da madrugada tínhamos dificuldade de controlar este tempo (cansaço demais) e nas demais dietas as vezes não conseguíamos uma regularidade na infusão (corria muito rápido e ela ficava nauseada, ou corria muito devagar e uma dieta quase emendava na outra). Aí insisti muuuuuito com meu marido para que comprássemos uma bomba de infusão (que é utilizada nos hospitais não somente para ministrar dietas, mas também medicamentos em uma relação constante de volume x tempo). Conseguimos uma de segunda mão própria somente para a infusão de alimentação enteral, com menor precisão de volume, mas que servia perfeitamente para a Helena e suas necessidades.

Assim resolvemos o problema número 2 do volume, uma infusão gotejada e constante que acabava trazendo conforto para a Helena porque não sobrecarregava o estômago e mantinha a quantidade de alimento/hora que ela recebia. O problema número 1 quanto volume a Helena deve ingerir continua sendo um exercício de paciência e perseverança para nós. Quanto uma criança na idade da Helena come? Desafio aos pais de crianças nesta faixa etária e mais ainda os pediatras, nutrólogos e nutricionistas a me fornecerem um número exato...NINGUÉM SABE! E não porque são negligentes, mas porque as crianças de mais de dois anos se alimentam segundo suas demandas e elas são diferentes porque dependem do ambiente, dos hábitos familiares e do metabolismo da criança. Mas e a Helena que não tem demanda? Pois bem, seguimos assim no cálculo de volume para um patamar máximo e na observação de como ela se sente durante e depois das infusões.

Hoje a Helena se alimenta 4 vezes ao dia na sonda, "belisca" livremente conosco à mesa (belisca pouquíssimo!) e lancha com os coleguinhas na escola (quase nada também!). O que este conjunto de alimentação nos dá em volume:

8:00h - 350 ml de fórmula sem lactose
12:00h - 450 ml de papinha salgada (preparada por nós com legumes, verduras e suco de carne vermelha ou branca)
15:00h - lanche na escola (não contabilizado porque o volume varia demais e não temos controle por não estarmos presentes)
18:30h - 450 ml de vitamina (fórmula se lactose, quinoa, quatro tipos de frutas e suco de cramberry)
22:00h - 350 ml de fórmula sem lactose
em horários variados - 200 ml de água

1800 ml dia. cada uma destas dietas corre em velocidades variadas, depende do estado de alerta e do posicionamento. Quando está acordada e sentada no cadeirão de refeições 300 ml por hora, quando está dormindo e deitada 150 a 200 ml por hora. O que nos preocupa é que o estômago da Helena nunca está pleno em volume, ou seja ela não ingere 540 ml em poucos minutos e como o estômago é um músculo acreditamos que a pouca tolerância em ingestão de volume oral possa estar ligada à um estômago pequeno com o agravante do balão da sonda (botton da gastro) ainda ocupar espaço.

Qual então é a solução? Ainda não sabemos e estamos sempre buscando profissionais que possam nos auxiliar nesta longa caminhada da gastrostomia...espero ter ajudado um pouco, a partilha de outras mães com experiências semelhantes é sempre um alento.

quarta-feira, 26 de março de 2014

NOTÍCIAS NOSSAS

Não sei mais se por falta de tempo ou de vontade deixei de escrever com regularidade, não importa, sem promessas vou fazendo o que der...muitas vezes "na telha" hehehe...
Enfim só para dar algumas notícias da Helena que está amando a escola...começou em "lua de mel" de duas semanas e passou pelo primeiro perrengue respiratório que durou dez dias...voltou com força total e ainda sem uma adaptação ideal à rotina de terapias, mas como tem se desenvolvido à contento estou esperando mais um pouco para mudar alguma coisa...quem sabe as coisas não se encaixam quando ela pegar realmente o ritmo? Esperança, esperança...não me abandone!

Esta semana uma rotina nova, terapias pela manhã e cochilo de uma hora antes de ir para a escola, nestes primeiros dias tem dado certo, vamos ver como continua. Sem mais palavras e só imagens segue a pequetita de uniforme que ela acha "Maravioso!!!!!" e de bailarina no carnaval com a coleguinha "bruxinha", interação total! Faltou dizer que para nós este foi um sonho realizado, o que para muitos pais é mais um passo no desenvolvimento de seus filhos, para a Helena foi um salto gigantesco...e para nós também.




domingo, 19 de janeiro de 2014

BLOG ABANDONADO

É verdade! O blog anda "as traças" e não vejo como atualizá-lo da forma que gostaria, mas sabe quando você não quer deixar morrer, construí aqui um cantinho de desabafo e memórias que tenho receio que com a sua morte parte da minha trajetória também se vá...assim vou mantendo dentro das poucas possibilidades que tenho de postar, fazer o quê, né?

Enfim dando notícias principais:

1. Ano novo, vida nova! Helena começa na escolinha no dia 03 de fevereiro, muita ansiedade e um trabalhinho antes, preparo de tudo: mudança de quantidades, tipo e horários de alimentação (achamos melhor não manipular a sonda no horário da escola, perigoso demais para ela e para os curiosos coleguinhas); entrada de uma mediadora que já começou aqui em casa para ir se adaptando à Helena e suas "particularidades"; tentativa de desfralde devagar e com dificuldades; mudança de medicação e horários...vixe que a menina nem entrou na escola e a coisa tá que tá...

2. Tiramos os óculos da Helena...já tem um mês e as crises convulsivas diminuíram...a neuro acha que "enxergar melhor" pode estar causando algumas crises. Mês que vem o oftalmo vai avaliar, parece que ela está enxergando bem sem eles, mais vai saber...

3. Macha bem devagar, pior do que antes mesmo!!!! Terça-feira o ortopedista vai avaliar, mas acho que desta vez vai ser difícil de fugir do botox, Deus me ajude porque as aplicações exigem anestesia geral e quase morro!!!!

4. Cada vez mais falante e elétrica...linda. linda mesmo!!!!!

Bem estas são as principais, vamos ver se consigo vir mais aqui...tomara!!!!

Foto super recente tirada pela querida Tia Dedé em passeio por Lavras Novas...olha só o estilo!!!


e outra não tão recente, ainda de óculos, da mesma fotógrafa, mas que mostra Helena na pose que mais gosta "deixa eu pensar..."



terça-feira, 26 de novembro de 2013

A PREMATURIDADE EXTREMA E EU

"A prematuridade é decorrente de circunstâncias diversas e imprevisíveis, em todos os lugares e classes sociais. Acarreta às famílias e à sociedade em geral um custo social e financeiro de difícil mensuração. Exige da estrutura assistencial capacidade técnica e equipamentos nem sempre disponíveis. Afeta diretamente a estrutura familiar alterando as expectativas e anseios que permeiam a perinatalidade. É difícil avaliar os
componentes que influenciam e são influenciados pelo complexo processo do nascimento prematuro." (Prematuridade e fatores de risco Ramos HAC, Cuman RKN, Esc Anna Nery Rev Enferm 2009 abr-jun; 13 (2): 297-304)

A descrição acima, contida em um artigo científico, do que acredito ser um processo, e não só um evento, como muitos acham e determinam, mostra que os efeitos deste fenômeno chamado nascimento prematuro não podem ser nem mesmo mensurados, dada a dificuldade de entendimento da extensão da sua influência sobre a vida das famílias que passam pelo mesmo. Eu, mãe de dois bebês prematuros extremos (diga-se de passagem "extremíssimos") acredito e corroboro a citação acima, até onde a prematuridade de um filho afeta a nossa vida? Dificílimo responder, mas alguns exemplos podem ser dados. Nunca, jamais, ever never seremos as mesmas pessoas, fisicamente, socialmente e psicologicamente, esta mudança não necessariamente é para pior, mas é uma mudança das que podemos chamar de drásticas, mesmo!

Participei de um estudo da PUC-SP que é parte do trabalho para o doutoramento de uma pesquisadora da universidade e quando comecei a responder o questionário enxerguei o quão extensa é a seara de sentimentos, responsabilidades e expectativas que nos envolvem quando temos um filho prematuro. A organização e encadeamento das questões faz com que você repense todo o processo de querer engravidar, a alegria do positivo até o desespero e obscuridade dos tempos de UTI e assim fica claro que, mesmo os fatos anteriores ao parto são vistos, a partir do momento que nasce um filho prematuro, de forma diferente. Ou seja, depois do parto prematuro até fatos anteriores recebem conotações diferentes, tamanha é a extensão da sua influência.

Achei muitíssimo interessante esta pesquisa, porque o que a doutoranda quer mostrar é a força do nascimento prematuro no vínculo afetivo e de cuidados da mãe-bebê e como precisamos de apoio psicológico para vencer o trauma e construir uma relação saudável com os filhos que nascem prematuramente...sem mais delongas segue o link para leitura na íntegra do trabalho, ele reflete bem a minha relação com a prematuridade e com a Helena...

http://www.4estacoes.com/pdf/maternidade_prematura_doutorado.pdf

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

APRENDENDO A DAR ADEUS

Uma das faces nefastas da prematuridade é a perda de muitos, muitos bebês prematuros, principalmente entre os extremos (nascidos antes de 31 semanas de gestação e com menos de 1 Kg)...e eu não fugi a estas estatísticas...mas é sempre bom e saudável manter esperanças enquanto é possível esperar, e este post é dedicado às mães prematuras que, como eu, perderam um de seus filhos, ou seu filho, ou ainda estão com seus bebês na Uti Neo e mantém a esperança...mantenham, vale a pena, mesmo que seja para depois recordar. Divido aqui a minha experiência de perda com o relato das últimas 24 horas do Jorge, das quais passei 20 horas ao seu lado.

Acho que quero colocar esta história aqui para que os detalhes não se apaguem, não fiquem nebulosos, não se tornem somente mais uma história da minha vida, esta é uma DAS histórias mais importantes da minha vida, pois nestas 20 horas aprendi muito, acredito que envelheci, no mínimo, 20 anos em 20 horas e neste processo amealhei pelo menos um pouco de sabedoria. Este post não é dramático, a minha intenção é que seja mais informativo, do tipo, isto pode acontecer com você que está lendo e como aprender com o outro é um exercício de sapiência quis compartilhar.

Jorge foi vítima de uma série de erros médicos, como já comentei em vários de outros posts e estes erros o levaram a um estado de "choque" que durou aproximadamente 10 dias. Neste intervalo de tempo ele passou por duas cirurgias (uma de persistência do canal arterial e outra de colocação de dreno em um dos pulmões), momentos estes críticos para a sua sobrevivência. Estes 10 dias foram intensos e cheios de expectativas e esperanças, parecíamos adormecidos frente aos boletins e notícias médicas que indicavam que o pior aconteceria, acho que é a reação de defesa contra algo que não queremos nem mesmo pensar à respeito, mas no fim pensamos a todo momento.

Mas, sem entrar na intercorrências médicas o que fiz nas últimas 20 horas que passei ao lado do Jorge foi segurar sua mão, isto mesmo, passei 1 turno de 10 horas e dois de 8 horas simplesmente segurando a mãozinha dele. Eu, dentro do meu coração, sabia que ele estava partindo, tinha certeza absoluta que o enterraria no outro dia, mas nestas últimas horas não derramei uma só lágrima, simplesmente segurei sua mão e em pensamento repeti a ele milhares de vezes que o amava infinitamente e que eu estava ali, sempre, sempre estaria, não importava onde ele estivesse, teríamos aquele lugar que só nós dois conhecíamos, onde nos encontraríamos para sempre, onde eu sempre estaria, sempre.

Este lugar, construído nestas horas, está mais sólido que nunca, e ele está lá, saudável e risonho, com a certeza absoluta de que a mãe dele não o abandonou, eu estou lá, junto com ele, o amando profundamente e para sempre...então, se seu filho vai partir, não se despeça dele, construa um lugar onde vocês sempre se encontrarão, o seu amor é o suficiente, pode acreditar.

Pois bem, depois que o Jorge se foi eu sempre escuto a música "Somewhere Only We Know" interpretada por vários cantores, ela se encaixa perfeitamente no nosso lugar e quando estava escrevendo este post uma aluna postou no facebook a interpretação da Lily Allen e me apaixonei...como vocês podem conferir abaixo:

http://www.kboing.com.br/lily-allen/1-1276455/

muito lindo mesmo...Eis nosso lugar Jorge, te amo.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

ESTRATÉGIAS DE VIDA

Então que este post estava em hibernação a tempos, mas sabe quando você não sabe se escreve ou não...aí resolvi escrever para que, se Deus quiser, daqui um tempo eu possa lê-lo pensando diferente e me lembre deste tempo de uma outra maneira. Este semestre orientei um trabalho final de curso muito interessante, tema e orientada, não havia ministrado aulas diretamente para esta aluna durante o curso, mas nossas afinidades foram muitas e o título do post tem a ver com este trabalho.

Sem entrar em maiores detalhes estudamos comunidades que se fixaram na transamazônica e alguns relatos coletados pela aluna e presentes em outros trabalhos sobre a região me abriram os olhos para as nossas decisões e caminhos que são nada mais do que parte da nossa estratégia de vida. Neste trabalho vi diretamente nestes relatos que as pessoas possuem estratégias de sobrevivência e estratégias de vida e estas últimas só existem se as primeiras não tomarem todo o seu tempo e toda a sua energia, ou seja, as primeiras (de sobrevivência) são basilares e necessárias e as "de vida" são demandas, criadas e alimentadas pelo acreditamos ser o melhor para nossas vidas, como um projeção do futuro, dos anseios, das vontades...e esse preâmbulo todo para quê? 

Para começar de novo com a Helena traçando estratégias de vida e não só as de sobrevivência, para não me sentir frustrada a cada crise convulsiva, a cada comportamento diferente, a cada retrocesso e dificuldade...afinal todas estas questões existem para outras mães, não é mesmo? Quero tratar das estratégias de vida, ligadas à escola, à independência e às inúmeras possibilidades de se viver bem sem andar ou comer...quero aceitar de verdade os olhares e as perguntas sobre o porque dela não andar ou não comer pela boca e mostrar que o andador, o tutor e a sonda são apenas estratégias de sobrevivência...as estratégias de vida são maiores...bem maiores e melhores...são imensos vôos a serem alçados e que alcançarão longas distâncias...

Pois bem...neste mês dedicado à prematuridade coloco toda a minha energia nas estratégias de vida que traço para a Helena...no que darão, não sei e nem me importa quero mesmo é que a VIDA seja mais do que simples sobrevivência...convite a todas as mães prematuras que como eu sabem o quanto nos importa a sobrevivência no início da vida dos nossos pequenos, acredito que lutamos tanto por ela que nos esquecemos que eles não precisam só sobreviver, nós demos VIDA  a eles e é isso que merecem!!!!

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

NOTÍCIAS DA HELENA

Como ficou tudo muito atrasado aqui no blog vou aos poucos postando as novidades...vou começar pelo que mais tem tirado nosso sono...as crises convulsivas da Helena. Estes eventos já eram esperados, tínhamos total consciência de que era muito bom para ser verdade que o "desmame" do anticonvulsivante que a Helena usou desde novembro de 2010 fosse um processo tranquilo, mas mesmo assim nos assustam e nos deixam bastante apreensivos. Relatei aqui o evento global e a entrada e saída do Clobazan e a entrada do Topiramato como medicamentos para tentar o controle das crises, mas não foi possível a monoterapia e hoje Helena continua com o Topiramato e com o ácido valpróico.

O meu problema não é o uso dos medicamentos e sim a dificuldade em identificar crises e relatá-las à neurologista, como são crises que se parecem com uma ausência ficamos, em alguns eventos, em dúvida com as características que podem ser somente sono ou cansaço, daí meu estresse. Mas fizemos um eletro e sim a Helena tem tido crises convulsivas e até mais de uma por dia...aff...o que me mata é vê-la perdendo a marcha (assunto para um post exclusivo) e ficando cada vez mais paradinha, do tipo, preferindo atividades em que ela possa ficar sentada sem interagir muito.

O meu medo maior mesmo é que este estado descompensado, provocado pelas crises, se torne constante e daí ela vá dando passinhos para trás na sua escadinha evolutiva. Olha os médicos avisam! A minha parte racional e até o meu entendimento científico da situação mostram que este poderia ser o nosso futuro, ou seja, um passinho para frente e dois para trás...mas não existe coração de mãe que fique tranquilo e feliz com isso não...o meu está em cacos...

aqui a animação dela no batizado...assunto para outro post

nesta foto eu, Lelê e Dindinha


quinta-feira, 22 de agosto de 2013

PÉROLAS DA PEQUENA PÉROLA...

Bem estou muuuito sumida, o final do semestre na Universidade me consome, tenho que admitir, mas passo rapidinho só para deixar as pérolas com as quais a pequetita anda nos agraciando ultimamente:

Helena: "mamãe sou um robô!"

Eu: Oi? Porque Lelê?

Helena: "tenho botão para apertar!"

haha...para quem faz parte do universo infantil e conhece o grupo australiano Hi-5 a música "...robô número 1 com botão para apertar..." explica tudo, com o bom humor que falta aos adultos para enfrentar as adversidades da vida, ela levanta a blusinha e mostra o botton da gastrostomia "meu botão mamãe"!

Outra...o clássico noturno, naqueles momentos antes de dormir, tem sido "Os três porquinhos" e a Helena, então, sopra todas as casas nas quas entra...haha...mas acho que ela nunca percebeu que as casas, os apartamento, enfim, as edificações, são de tijolos (já que, geralmente, as paredes são cobertas e pintadas)...pelo menos não daqueles que aparecem nos desenhos dos "Três porquinhos". Então neste final de semana, na casa dos meus pais, em uma sala que tem uma aplicação de cerâmica rústica em duas paredes Helena solta sua pérola "Olha! Veja só! Esta casa é de tijolos!" e segue soprando lindamente as paredes...hehe...é mesmo uma cria de arquiteta com engenheiro civil...

bjocas minha lindinha

segunda-feira, 29 de julho de 2013

ADEUS JORGE...3 ANOS

"É tão estranho
Os bons morrem jovens
Assim parece ser, quando me lembro de você
...
Eu continuo aqui
Meu trabalho e meus amigos
E me lembro de você
Dias assim, dias de chuva, dia de sol
E o que sinto não sei dizer
Vai com os anjos, vai em paz
...
Não é sempre mas eu sei
Que você está bem agora
..."

quarta-feira, 10 de julho de 2013

PARABÉNS MINHA QUERIDA

Hoje é um dos dias mais especiais em diversos sentidos e que para mim representa, com certeza absoluta o dia mais importante das nossas vidas, minha e do Guilherme juntos...quis muito nos primeiros dois aniversários da Helena fazer retrospectivas, pensar a respeito, tentar fazer uma balanço, mas não consegui, não por falta de tempo, mas por medo de pensar diretamente em determinados assuntos, sistematizar mesmo as situações que nos rondaram e aquelas que são a sequência ou as consequências das anteriores. Mas quero acreditar que três anos é tempo suficiente para começar a escrever sobre tudo que já passou e com perspectivas melhores sobre o que virá...

Helena está completando cronologicamente seus três anos de vida e ainda me impressionam a sua força e a sua fragilidade. Tenho plena convicção, hoje, de que filhos especiais são mesmo "especiais" e demandam que seus pais sejam fortes o suficiente para viver emoções em estilo "montanha russa" não existem dias sem novidades ou demandas, sabe daqueles dias normais em que uma rotina é seguida e que nada de diferente acontece...pois bem estes dias com estas crianças não existem...é sempre alguma preocupação, observação, atenção ou ALEGRIA, FELICIDADE E SUPERAÇÃO...enfim é sempre diferente e especial - literalmente.

Este ano mais que nos outros fiquei pensando que bom seria se o Jorge estivesse aqui também, o quanto seria linda uma comemoração para os dois e o quanto seria benéfico para a Helena a presença do irmão, mas tento afastar estes pensamentos porque não quero me entristecer neste dia tão especial para a pequena princesa...ela enfim terá o complemento do sacramento do batismo este mês e a comemoração do aniversário só para os familiares acontecerá no mesmo dia, assim amanhã cantaremos com um bolinho na fisioterapia e depois aqui em casa só a gente mesmo. A Helena foi batizada por mim na UTI junto com o Jorge, mas como só usei água benta agora ela passará pelo rito completo com os óleos do batismo. Este dia será muito importante para mim...acho que ficarei muuuuuito emocionada, gostaria de dar um testemunho, de falar sobre o milagre que é a vida da Helena e o quanto a nossa fé nos sustenta nesta caminhada, mas acho que não conseguirei...enfim será uma data em que toda a família comemorará nosso pequeno grande milagre com louvores e glórias.

Hoje experimentei nela o vestido que será usado no dia e ela se encantou com a roupa...foi muito engraçado ver ela dizendo "sou uma princesinha linda!" e como fico feliz em vê-la desfrutar da felicidade de momentos tão simples...é assim que espero que a vida se apresente a você minha querida com mais momentos de felicidade do que quaisquer outros, que seus desafios sejam vistos como uma forma de superar e vencer e que se não for possível vencer sempre da forma que sonhamos que seja possível ser feliz no patamar que nos encontramos...felicidades e saúde meu amor!

mamãe

quarta-feira, 19 de junho de 2013

MI, MI, MI...

Pois bem, nesta onda de mudanças (rs) resolvi que meus posts (eu) estou muito Mi, Mi, Mi...quero ficar mais Lá, Lá, Lá...hehehe....

O que quero dizer é que procuro, há muito tempo, mas nem sempre consigo (tenho que admitir) me lamentar menos, principalmente em relação à Helena e às situações que fazem parte do nosso cotidiano. Passo por momentos bem Mi, Mi, Mi MESMO!!!! Mas não os quero como constantes em minha vida e quem me conhece no dia a dia sabe que não fico com cara de "cachorro que caiu do caminhão de mudança" não, sou uma pessoa positiva e de "cara boa" na maior parte do tempo.

Então...partindo deste princípio e tornando a situação real, venho por meio deste post contar nossos momentos Lá, Lá, Lá!!! destes últimos dias:

- Helena recuperando a postura e a marcha...devagarinho mas sempre em frente. O tutor fica pronto no dia 29 e acredito que vai ajudar ainda mais nesta recuperação;

- Depois da internação e da entrada do Topiramato em nossas vidas a Helena estava comendo pouquíssimo e já nem solicitava nada, nem a água que ela tanto gostava...mas eis que o apetite e interesse voltaram e hoje , na sessão de fono foram pelo menos (sozinha e com a própria mãozinha) 2 colheres de sopa de feijão batidinho e 20 ml de água...VIVA!!!!

- Cognitivo a todo vapor com domínio de todo o alfabeto e diferenciado letras de palavras e frases...hahaha..."Mãe por favorzinho me dá a palavra indiozinho!" (joguinho de montar figuras, letras e palavras da Galinha Pintadinha) uma fofura só...

Então...acho que consegui, nem que como um lampejo ter um momento Lá, Lá, Lá...